Diário de bordo

Meus queridos e queridas, este blog foi criado para ser o diário de bordo da pesquisa de campo para meu Mestrado, junto ao Programa de Pós Graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia, com o apoio do CNPq. O trabalho intitulado "Pedra Afiada - Um convite para o teatro invadir a cidade" foi orientado pela Prof. Dra. Angela Reis. A pesquisa de campo foi realizada em Itambé, no sudoeste da Bahia, de março a agosto de 2010, onde alimentei este blog com informações e reflexões sobre a pesquisa e a escritura da dissertação. Depois de concluido o Mestrado (março/2011) o blog será utilizado como forma de divulgar e refletir os andamentos da cultura na cidade de Itambé. Esta é uma forma também de discutir a cultura em cidades de pequeno porte do interior da Bahia e do Brasil. Conto com a visita de todos. Ah, uma dica, como este blog funciona como um diário, para os marinheiros de primeira viagem é melhor acompanhá-lo de baixo para cima. Então busquem o primeiro post e boa viagem!!!





quarta-feira, 2 de julho de 2014

Viva a Porta Bandeira!!!



Hoje, dia 2 de julho, dia da Independência da Bahia o dia amanheceu triste com a notícia do falecimento da nossa eterna porta estandarte Marina, simplesmente Marina!
Mulher forte de brilho intenso!
Mãe guerreira amiga de todas as horas. Marina movimentou Itambé, sacudiu a poeira, deu várias voltas por cima.
Que bom que eu pude vê-la rodopiar pelas ruas de Itambé, sempre imponente e radiante no papel de porta bandeira de uma das agremiações carnavalescas da cidade.
Imbatível, hors concours, sempre nota 10!
Marina leva consigo uma história de brilho e alegria, um tempo de glória que, pelo visto, não volta mais. Itambé está perdendo, para o céu, suas estrelas mais brilhantes!
Você estará em mim para sempre minha pérola negra porque minha vida cruzou com a sua.
Gostaria muito de que hoje, nosso amigo Cobrinha cantasse a música que para nós, foi feita para você.
Mas se ele não cantar, daqui a pouco o próprio Caymmi cantará para você Marina, morena, no céu de estrelas!
 
(Imagem ilustrativa)


quinta-feira, 27 de março de 2014

O teatro "invadiu" a cidade!


Em março de 2010 eu cheguei em Itambé depois de muitos anos distante. Cheguei para realizar a pesquisa de campo do meu Mestrado em Artes Cênicas e por lá vivi seis meses de intensa investigação artística juntamente com os habitantes da cidade, meus conterrâneos.
O Casarão Vila Diolinda foi escolhido, estrategicamente, por se localizar num ponto central da cidade, para me abrigar e ser sede do projeto “Pedra Afiada: um convite para o teatro invadir a cidade”, título de minha dissertação, orientado pela querida professora Angela Reis.
Durante esse período me envolvi e fui envolvido em todas as questões do cotidiano da cidade. Conheci pessoas, visitei lugares, frequentei reuniões e cada dia me dedicava a entender que relação existia entre os itambeenses e a cidade. Dessas reflexões iam surgindo as ações cênicas que começaram a movimentar o cotidiano da cidade e a enriquecer ainda mais nossas avaliações. Os habitantes daquela pequena cidade estavam cansados de esperar um futuro melhor, já não aguentavam mais viver do passado e o presente não agradava a todos. Muitos jovens deixavam a cidade em busca de oportunidades e novos horizontes, os adultos já se viam meio que sem perspectivas.
A cidade vivia um silêncio, uma pausa, e eu lá, no meio de tudo isso, querendo mudar alguma coisa, desejando estimular os moradores a agir cenicamente, a reclamar por uma vida digna e o direito à arte!   
Esse trabalho foi defendido em março de 2011. Em 2012 a dissertação foi adaptada ao formato de livro e submeti ao conselho editoria da Editora da Universidade Federal da Bahia (EDUFBA) que aceitou publicar o livro. Daí me veio o medo como o medo quando se sabe que se vai ter um filho, mas assumi o risco e me lancei nessa nova experiência de ser autor.
“O teatro invadindo a cidade” foi o título escolhido para a obra que já foi lançada em Campinas/SP, Belo Horizonte/MG, Salvador/BA e na cidade de Lisboa em Portugal.
Depois de toda essa batalha, dia 21 de março de 2014, eu e um grupo de amigos lançamos em Itambé o livro acompanhado de um coquetel e uma exposição com fotografias que ilustram o livro.
O lugar escolhido foi o Bar Caçuá, o bar de Caio, o bar da Praça do D, uma rua escondida nas proximidades da Praça da Prefeitura, a Praça Osório Ferraz. 50 pessoas foram convidadas entre amigos, colaboradores e representantes de instituições de ensino. Com o apoio da EDUFBA esses 50 convidados foram presenteados com um exemplar do livro com a missão de multiplicar, de fazer ecoar as vozes representadas ali naquelas páginas. O intuito inicial de fazer o itambeense refletir a sua condição de parte daquele coletivo urbano agora estava materializado nas mãos de alguns moradores da cidade.
E com a ajuda de parceiros eternos como Manoel Dias, Cíntia Gusmão e Cris Melo Gusmão uma noite especial e mágica foi proporcionada a todos esses amigos que são referência na cidade. É importante esclarecer aos outros companheiros da cidade que essa amostragem de 50 convidados foi feita com muita dor, pois tantos outros deveriam ser convidados, mas não tínhamos condições para isso, por isso o critério foi convidar quem participou mais ativamente das ações e também os representantes das Escolas. Mas a cidade estava ali, representada, e nosso desejo continua sendo o de mudar as sensações descritas no início desse texto, nossa luta é a de vencer as barreiras e nos posicionar como responsáveis por nossa cidade e fazer dela um lugar digno e prazeroso de se viver e o que esse prazer seja recíproco: nós com nossa cidade e ela com seus filhos!

Agradeço imensamente a:
A Caio Vieira e sua mãe que receberam todos os convidados de forma carinhosa com seus caldos deliciosos.
A Cris Melo Gusmão, Cintia Gusmão, Nice Lopes, Elis Ney Pimentel, Manoel Dias, Neide Borges, Gianna Barbosa, Romuel Soubiraus, Thide Lira, Cida Lemos, Zizi Ferreira por estarem sempre presentes e prontos para tudo!
A Rapha Gusmão e ao blog Itambé Verdade pela cobertura!
A Maria Amélia Mota, Gildete Silva, Lói Viera, Gabriel Henri, Carlos Leonor, Tia Neuza, Angelick e Beto Bittencourt, Jeane Morais Ribeiro, Jota Brandão e Rejane Brandão, Tia Jarde, Gal, Pepê, Felipe, Glória, Raqueline, Nara Santos, Marcos Costa, Adriana Nolasco, Nivaldo, Callil, Lucinha Borges, Juca, Tony!
À TV Sudoeste, a Wesley Marques e à Band FM!
Aos visitantes ilustres Angelo Serpa, Luciana Oliveira, Adão Albuquerque e Alan Kardek!
A todos vocês o meu amor e agradecimento!!!




































Confira no vídeo abaixo o making of da matéria realizada pela TV Sudoeste ou veja diretamente no Youtube!

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Ler a/na cidade!

Convocatória:
Depois de apresentar um artigo sobre o poder do teatro no cotidiano das cidades como parte da programação do Simpósio Internacional “Teatro: estética e poder” na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e conferir uma palestra na Universidade Nova de Lisboa, sobre o processo que envolveu a escrita do livro “O teatro invadindo a cidade” de minha autoria, e que teve Itambé como base para a pesquisa é que venho propor a realização da ação cênica “Ler a/na cidade”. Durante minha estadia em Portugal, precisamente na cidade de Lisboa fui questionado várias vezes a respeito da continuidade de minhas proposições artísticas e políticas junto aos moradores da cidade e me veio a necessidade de propor essa ação também estimulado pela iniciativa de um grupo de professores do Colégio Gilberto Viana    que organiza o evento “Biblioteca Itinerante”.
Considerando a leitura uma forma de ver e ler o mundo é que proponho essa nova ação cênica e para isso preciso da participação dos interessados em viajar pelo mundo da leitura, mas também em refletir a cidade através do encontro que o ato de ler pode nos proporcionar.
Assim, quem tiver interesse em participar, nos encontraremos no dia 18/12 às 17:00hs na Praça da Igreja Matriz onde definiremos em conjunto, os princípios da ação que acontecerá no dia 19/12 à partir das 16:00hs. Pessoas de todas as idades são bem vindas e não é preciso estar vinculado a nenhuma escola!
Basta aparecer, qualquer dúvida resolvemos pelo facebook!
 
 






quarta-feira, 26 de junho de 2013

Tradição e modernidade



Nesse período de festas juninas grande parte das cidades do nordeste usa esses dois conceitos para definir suas festividades. Não foi diferente com Itambé, no sudoeste da Bahia, e, depois de passar os três dias de festa na cidade, me veio a pergunta: como manter uma tradição sem negar a modernidade? A cidade enfrenta um momento crítico de ajuste de contas com a mudança do governo, mas também por problemas gerados pela seca. Assim a administração não pôde pleitear verbas para a organização da festa junina deste ano. Para driblar a crise e não desapontar os moradores foi investido o mínimo possível e com isso foram organizadas festas nos bairros da cidade, o retorno a uma tradição que estava esquecida nos últimos anos, conhecida por todos por “Poeirão”. Nos dias principais da festa junina, a organização arriscou mudar o lugar da festa da Praça San Filli, uma área construída para esses festejos, para a Praça São José, correndo o risco de rejeição por parte da população. Mas foi uma ousadia que teve seus pontos positivos, como, por exemplo, concentrar mais o público e economizar em decoração e estrutura. Mas aí eu retorno ao título dessa postagem para concluir que mesmo se tratando de economia, a modernidade se faz necessária no diálogo com as tradições. É possível organizar uma festa com recursos mínimos: basta solicitar o apoio da população, fazer com que os habitantes, mesmo que poucos, se sintam responsáveis pela festa. Formar uma comissão, unir forças, dividir tarefas, trabalhar em conjunto e com vontade para que tudo dê certo. A organização da festa também precisa ser uma festa, um motivo de encontro e prazer. Depois disso, elaborar uma programação que esteja dentro desse orçamento, mas, aí sim, vem a tradição, nessa lista de atrações é preciso que a boa música seja priorizada. Vamos deixar arrochas e axés para as inúmeras festas particulares que existem por aí. Na rua, o povo quer mais é o bom e velho forró. Simples assim. Agora vamos à modernidade. Nenhum trio nordestino, por mais simples que seja, consegue fazer uma boa apresentação sem equipamentos dignos de som e luz, então mesmo que com baixo custo esses itens precisam de um pouco mais de investimento. Outro ponto que tirou um pouco o brilho da festa foi a divisão da cidade. Em Itambé, mesmo com o passar dos anos, os habitantes ainda se dividem em função de grupos políticos que governam a cidade e, por isso, não é de se estranhar que alguns moradores se recusem a frequentar a festa ou que outros moradores compareçam para apontar defeitos e falhas. Uma pena. A cidade poderia aproveitar esse momento para se unir, tentar acabar com esse comportamento que atravessa gerações e impede o progresso, porque não dá para uma cidade evoluir dividida, mesmo porque, seja lá quem for o governante, é para o povo e para todos que se governa. E se todos estivessem juntos, a festa teria sido melhor do que foi e essa tradição poderia estar garantida e vivida por todos. É de encher o coração de esperança quando, andando pelas ruas, percebemos que algumas famílias ainda mantêm a tradição de decorar a rua, a frente da casa, preparar a mesa farta para receber os convidados e familiares. É de lavar a alma estar na sua cidade, sentar na porta de casa com os amigos, comendo e bebendo o que foi preparado ali mesmo com tanto carinho e conversar sobre a vida. A festa propicia o encontro e isso é sempre um motivo para retornar. É preciso estimular essas ações dos moradores. Fazer a programação de uma festa como essa também não é fácil. É preciso agradar a todos: itambeenses, visitantes, jovens, adultos, tradicionalistas e modernistas, mas uma coisa é certa: não tem quem não goste do que é bem feito. E foi lindo ver todos dançando ao som de Juá da Bahia e sua banda, que, para mim, traduz o que é a boa música. Um repertório que passeia pelo que há de melhor do cancioneiro junino, mas também aliado a toques de modernidade em seus arranjos e vocais. Nesse momento da festa, estavam todos numa mesma vibração, num só ritmo, juntos fazendo daquele instante uma verdadeira festa.

O que fica dessa edição dos festejos juninos é que vale sim à pena correr riscos e apostar em algo novo, mas é preciso refletir e analisar o que pode ser melhorado já que essa administração está no começo dos trabalhos. E se assim for feito tenho certeza de que o São João do ano que vem será o mais tradicional e o mais moderno de todos os tempos. E a organização da festa desse ano pode dormir tranquila porque o possível foi feito, mas o melhor está sempre por vir!

 








 
 
 

Fotos e vídeos: Marcelo Sousa Brito 
 
 

Tradição: A tradição é um conjunto de costumes e crenças que remonta tempos antigos, praticados por nossos antepassados e transmitidos de geração em geração com o objetivo de serem preservados. Variam da cultura de cada povo e região e fazem parte de um contexto histórico-temporal, onde são aceitos e praticados pelo senso comum da sociedade. Fazem parte das tradições: lendas, mitos, práticas religiosas, danças, músicas, vestimentas, pratos típicos, brinquedos, jogos, artesanatos, decorações, histórias, valores e comportamentos. Tais conhecimentos são transmitidos de forma oral e/ou escrita.

Modernidade: tem um carácter de conquista pelo Homem moderno, da sua autonomia e da vontade de inventar e criar técnicas novas, ou seja, projetos racionalistas que têm o seu auge com a filosofia cartesiana.
Nos nossos tempos, a modernidade associada a ideias de positivismo, otimismo e fé no progresso, inspira as maiores reservas e algumas críticas por parte de alguns filósofos contemporâneos de diversas correntes de pensamento.
Fonte: Dicionário Aurélio.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Lançado aos quatro ventos!

É com prazer, emoção e sensação de dever cumprido mas nem por isso finalizado, que comunico a todos meus conterrâneos o lançamento do livro "O teatro invadindo a cidade". O lançamento foi promovido pela Edufba (Editora da Universidade Federal da Bahia) no dia 02 de abril de 2013, no auditório da Faculdade de Comunicação (UFBA). Neste dia dividi esse prazer com mais oito autores e com muitos amigos que se fizeram presentes. Bela Serpa, Angelo Serpa, Tatiane Carcanholo, Amós Heber, Gabriela Leite, Paulo Tiago Leite, Dejalmir Melo, Isadora Browne Ribeiro, Saulo Robledo, Marcia Andrade, Marcia Cordeiro, Thiana Biondo,  Keu, Greicy, Rita Ortiz, Marielson Carvalho, André Nunes, Silvinha Torres, Vinicius Carmezin, Filipe Mateus, Gessé de Campos, Tom Conceição, Carol Teixeira, Sérgio Borges, Henrique Araújo, Mariana Vilhena, Jacileda Cerqueira Santos, André  Nunes de Sousa, Caroline Bulhões, Lenine Guevara, Duto Rosa, Luciana Lucca, Neila Kadhi, Vaninha Vieira e a presença mais que especial de duas amigas de infância representando todos os itambeenses: Ieda Teixeira e Andréia Rocha.
Foi realmente uma noite de celebração.

Agora vamos batalhar o lançamento em nossa cidade para o prazer ser completo. Quero dividir essa alegria com todos os moradores que participaram do processo!
Fotos: Gabriela Leite e Paulo Tiago Leite.